quarta-feira, 1 de março de 2017

Ave, a Maria!

Estou aqui pra te lembrar de sentir.
Estou aqui pra te lembrar de sofrer.
Mesmo que pra mim seja difícil existir
É meu papel não te deixar esquecer
Estou entre as brechas da tua rotina
Dessa máquina de entorpecer
Estou entre as pírulas e vitaminas,
Gadernais, LSDs
E pensas que tudo te faz bem
E que precisamente, de mim não precisa
O artista nunca lhe convém
Sou vagabunda, malandra ou vaidosa
Mesmo eu te dando em poesia e prosa
A saída do teu torpor, amém.




No ventre te protejo

Dorme, minha filha, dorme
Que tua mãe vela teu sono 
E quando estiver em meus braços
Deixas ser puro abandono

Aproxima-te dela quanto pode
Encosta tua cabeça em seu peito
E no leito, sinta o calor do meu corpo
Sorva o leite que jorra em teu socorro
Tudo agora parece direto
Ouça alto minha respiração
Sinta meu coração junto ao teu
Sinta que tudo te acalma
No corpo que não te esqueceu

Tua mãe está aqui, quieta
Pensando se o amor pode curar
Intimamente, uma forma arquiteta
De você ao seu ventre retornar



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Tear da Vida



Ai coração, acalma-te!
Coração, confia!
Coração, perdoa!
Que o tempo é capaz de te ajudar
De mostrar o que é bom e o que é ruim
Talvez não tenha ele pra mim
Mas pro outro é capaz de atender

Pela aranha que a teia fia
Pelo amor que a voz ecoa
Vai coração, perdoa!
Deixa-te enternecer!

Não toma teu fruto pra ti
Que o fruto não é só seu
Apesar do termo: dividir
O outro nunca entendeu

Ai coração, por mim
Pare de se defender
Se é teu destino se iludir
Apenas deixe acontecer...

sábado, 30 de maio de 2015

Canto

Eu canto minhas tristezas
Porque elas não tem lugar
Alegrias encontram pessoas
Os braços encontram abraços
Mãos estendidas, apertos
Risadas são fáceis de dar
Eu canto o que não é certeza
A dúvida não tem lugar

Angústias: veleiros sem proas
Medos são nós sem laços
Eu canto os meus cansaços
Minhas tristezas não tem pousar
Eu canto o que não tem espaço
Eu canto o que não tem beleza
Eu canto a tua tristeza
Pra que tu não precises cantar

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Lágrima






Como posso, agora, neste momento,
neste piscar de olhos,
neste único suspiro,
ser tão feliz e tão triste?

Como cabe, não entendo,
ao mesmo tempo,
um sorriso
onde a lágrima persiste?

Como cabe tanto amor?
Será que é esse o motivo?
Já no peito não comporta.
Por isso a garganta embarga
e pelos olhos transborda, em lágrima.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A não existência

Eu só vivo quando escrevo.
Todos os outros momentos,
Não respiro.
Eu te olho e não respiro.
Eu te falo e me falta o ar.

Tudo que não está no texto, definha.
Esta é a angústia minha.
E ela está lá,
No olhar sufocado
Na fala embargada.
Só não está nessas linhas
Só nessas linhas, que ela não está

Eu escrevo pra não morrer.
Eu escrevo pra não matar!
Eu só vivo quando escrevo.
Todos os outros momentos,
Não estou lá.



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Canção ao desamor

Há tanta tristeza em meu peito que eu não sei o que fazer.
Também não sei de onde vem esse pesar sem fim.
Só sei que ele é grande e está em mim...
É grande e está em mim.

O mundo não me parece próprio para caber
Essa pessoa que sente tudo que é triste, que sente tudo que chora.
Só sei que a lágrima é minha agora.
A lágrima é minha agora!

Então me escuta por um momento, deixa eu te devolver
O teu lamento, a tua revolta, a tua esperança morta
O teu ódio, a tua injustiça, o teu desdém bateu à minha porta.
O teu rio desaguou em mim.
Teu rio desaguou em mim!

Quero embora, não sei pra onde, quero um lugar que me proteja
Quero que não me encontre esse dissabor que tu festejas
Sonhei com um lugar outrora, que me cabia enfim.
O lugar me cabia enfim!

Tinha luz em todos os cômodos e cadeiras amarelas
Tinha flores nas janelas, detalhes em jasmim
Tinha o amor que me espera
Amor sem fim
Quero o amor sem fim...