domingo, 30 de setembro de 2012

Quimera



Pensando em ser mais corpo que espírito,
talvez para fincar mais meus pés à terra
e menos aos céus vaguear minha mente,
percebo que me tornei qualquer coisa de diferente.
Um ser à parte, uma quimera...

Pois quanto mais força adquire meu corpo,
mais ainda dele me liberto.
O que dantes era ferrugem e rangia;
o que era cinza de poeira que estava coberto,
agora é silêncio, é leveza, primavera.

E me torno o oposto do que queria:
um ser que plaina no reino das ideias,
do imaginário, da poesia
e um ser que  cada vez mais se distancia
daquilo que um dia quisera...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vertigem





Meu coração é uma montanha russa
Minha vida é, portanto, só vertigem
Na verdade pouca coisa me aflige
Só a falta do teu amor me entristece.
Vez em quando, lá vem ela e me acusa:
- Por quê sentes? Por quê ainda se enternece?
- Por quê não aceitas logo esta recusa?
É, meu caro, eu não sei essa resposta!
Pois quando penso que passou, ele aparece
Esse amor que, de teimoso, não perece
Indo e vindo neste caminho sem sentido
Não contente, quer sentir o vento no rosto
e displicente na janela se debruça
Ah, meu coração é traiçoeiro
Ah, meu coração é uma montanha russa!


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ecos





Esconda a tua alma enquanto é tempo
Vá, esconda-te ao relento!
Que imperioso é o ser, o sentir
Deixa a tua ânsia se extinguir
Resolve-te na tristeza
Ainda há alento na beleza
Que a renuncia à tudo traz!
Vá, vá embora,
Sem se mostrar a ninguém
E encontre na solidão algo além da tua paz.

domingo, 1 de julho de 2012

Esmeril da vida





Que fardo é este que carrego comigo?
Onde a dor da alma dilacera o corpo
Onde a dor de um coração partido
vem também rasgar minhas entranhas

Porque será que sempre me acompanhas
Como uma sombra, um espectro, um silêncio
A gerar sempre uma despedida
A mostrar do amor um falso encanto

O que quer da minha alma ainda,
se não posso desaguar meu pranto?
Este rio, no meu corpo, é ferida
Este rio, na sua alma, é espanto

Eu só sei que semeio em minha vida
tudo que minha alma tem de amor
Mas minha alma purifica ainda
Vida, teu esmeril  é a dor!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Perfume do vento (à minha mãe)

Que a mágica dança dos ventos
Que transforma tudo em beleza
Sempre que puder, me traga
O perfume de sua presença

Que seus olhos sempre mire os meus
Com doçura e compreensão
Que Deus sempre lhe guarde
Em minhas lágrimas de emoção

Teu amor por mim foi tanto,
Meu amor por ti, tão imenso
Que gerou, como por encanto
Um doce perfume no vento...


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Oração do Adeus

Vento suave que toca meus cabelos
Leva o pensamento a quem distante está
Leva para ele o alento
Tira toda dor e tormento
Custe o que custar

Terra, firma meus pés no chão
Impede que esse pobre coração
Seja sombra de alguma dor
Nasci para ser sozinha
Minha alma ainda será minha
Se para ele, ela não for

E mar, que guarda mistérios
Guarda também meus segredos
E a ele somente diz
- Ela partiu, foi embora
Pois percebeu, outrora
Que isso o faria feliz

domingo, 10 de junho de 2012

Quero te dar flores

Flores, quero te dar flores
Vai coração, liberta-te
Das conveniências, das dores
Aos meus amores, entrega-te
Venha me banhar de paz

No fechar dos olhos, vejo cores
Espectro dos meus sonhos sem sentido
Sinto o teu sussurro ao meu ouvido
Provo do teu mel, forte e fugaz
Olho e te procuro aonde não estás

Guardo-te em carinhos e temores
Fito-te e meu coração se desfaz
Quero te cobrir de rosas
Quero-te em todas as coisas
Coisas que não tenho mais

Salva minha alma das dores
Que tua ausência me traz.
Flores, quero te dar flores
Flores, tragam minha paz.