sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Fonte do meu sofrer





Ó fonte do meu sofrer,
Não quero dizer-te, mas és.
Ou talvez seja eu quem te alimenta
Entupindo-lhe de choro, o teu viés.
Só sei que a mim parece ser
Inesgotáveis féis...

Ó fonte do meu sofrer,
Cessa-te agora e de uma vez.
Escoa tua água, encontra tua seca!
Meu coração já não mais te aguenta.
Precisa de forças para amanhecer.

Ao declamar estes versos infiéis,
Solto dos meus lábios intocados,
Uma súplica, um murmúrio, um lamento.
Peço-te, imploro-te, ajoelho a teus pés!
Ó fonte do meu tormento
Seja finita, já que fugaz, não és!

sábado, 10 de novembro de 2012

Divagações



Nos meus olhos, entre os sorrisos de alegria
há sempre a melancolia,
há sempre uma despedida;
e são tantas na minha curta vida
e tantos são os desencontros
que já nem sei entre meus encantos,
qual perece ou qual, descrédulo, se finda.

Já não sei quando meu sorriso
sem mácula,  e de medo desprovido,
amorosamente se abrirá.
E não sei como se encontra
esse último sentido
que o erro entre meus acertos, descortinará.

Não sou mulher, não sei as regras.
Não sigo o protocolo dos desejos,
não sei caminhar por entre as frestas.
Sou um ser humano desprovido de malícia
que completamente se dá
e completamente se retira
às dores, aos amores e às delícias....

domingo, 30 de setembro de 2012

Quimera



Pensando em ser mais corpo que espírito,
talvez para fincar mais meus pés à terra
e menos aos céus vaguear minha mente,
percebo que me tornei qualquer coisa de diferente.
Um ser à parte, uma quimera...

Pois quanto mais força adquire meu corpo,
mais ainda dele me liberto.
O que dantes era ferrugem e rangia;
o que era cinza de poeira que estava coberto,
agora é silêncio, é leveza, primavera.

E me torno o oposto do que queria:
um ser que plaina no reino das ideias,
do imaginário, da poesia
e um ser que  cada vez mais se distancia
daquilo que um dia quisera...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vertigem





Meu coração é uma montanha russa
Minha vida é, portanto, só vertigem
Na verdade pouca coisa me aflige
Só a falta do teu amor me entristece.
Vez em quando, lá vem ela e me acusa:
- Por quê sentes? Por quê ainda se enternece?
- Por quê não aceitas logo esta recusa?
É, meu caro, eu não sei essa resposta!
Pois quando penso que passou, ele aparece
Esse amor que, de teimoso, não perece
Indo e vindo neste caminho sem sentido
Não contente, quer sentir o vento no rosto
e displicente na janela se debruça
Ah, meu coração é traiçoeiro
Ah, meu coração é uma montanha russa!


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ecos





Esconda a tua alma enquanto é tempo
Vá, esconda-te ao relento!
Que imperioso é o ser, o sentir
Deixa a tua ânsia se extinguir
Resolve-te na tristeza
Ainda há alento na beleza
Que a renuncia à tudo traz!
Vá, vá embora,
Sem se mostrar a ninguém
E encontre na solidão algo além da tua paz.

domingo, 1 de julho de 2012

Esmeril da vida





Que fardo é este que carrego comigo?
Onde a dor da alma dilacera o corpo
Onde a dor de um coração partido
vem também rasgar minhas entranhas

Porque será que sempre me acompanhas
Como uma sombra, um espectro, um silêncio
A gerar sempre uma despedida
A mostrar do amor um falso encanto

O que quer da minha alma ainda,
se não posso desaguar meu pranto?
Este rio, no meu corpo, é ferida
Este rio, na sua alma, é espanto

Eu só sei que semeio em minha vida
tudo que minha alma tem de amor
Mas minha alma purifica ainda
Vida, teu esmeril  é a dor!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Perfume do vento (à minha mãe)

Que a mágica dança dos ventos
Que transforma tudo em beleza
Sempre que puder, me traga
O perfume de sua presença

Que seus olhos sempre mire os meus
Com doçura e compreensão
Que Deus sempre lhe guarde
Em minhas lágrimas de emoção

Teu amor por mim foi tanto,
Meu amor por ti, tão imenso
Que gerou, como por encanto
Um doce perfume no vento...