quinta-feira, 14 de março de 2013
Medo
Esfumaça-te, dissolve-te
nas brumas da manhã que está pra começar
Não te quero, meliante
não venhas a alegria novamente me roubar
Vá, augúrio que abafa
minha alegria eminente
És da minh'alma, mordaça
És a dor intermitente
Deixas que eu dê este grito sufocado
Sai do corpo que definha mas te aguenta calado
Já sei quem tu és, não é nenhum segredo
És o mal que me desvasta e teu nome é: medo!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Fonte do meu sofrer
Ó fonte do meu sofrer,
Não quero dizer-te, mas és.
Ou talvez seja eu quem te alimenta
Entupindo-lhe de choro, o teu viés.
Só sei que a mim parece ser
Inesgotáveis féis...
Ó fonte do meu sofrer,
Cessa-te agora e de uma vez.
Escoa tua água, encontra tua seca!
Meu coração já não mais te aguenta.
Precisa de forças para amanhecer.
Ao declamar estes versos infiéis,
Solto dos meus lábios intocados,
Uma súplica, um murmúrio, um lamento.
Peço-te, imploro-te, ajoelho a teus pés!
Ó fonte do meu tormento
Seja finita, já que fugaz, não és!
sábado, 10 de novembro de 2012
Divagações
há sempre a melancolia,
há sempre uma despedida;
e são tantas na minha curta vida
e tantos são os desencontros
que já nem sei entre meus encantos,
qual perece ou qual, descrédulo, se finda.
Já não sei quando meu sorriso
sem mácula, e de medo desprovido,
amorosamente se abrirá.
E não sei como se encontra
esse último sentido
que o erro entre meus acertos, descortinará.
Não sou mulher, não sei as regras.
Não sigo o protocolo dos desejos,
não sei caminhar por entre as frestas.
Sou um ser humano desprovido de malícia
que completamente se dá
e completamente se retira
às dores, aos amores e às delícias....
domingo, 30 de setembro de 2012
Quimera
Pensando em ser mais corpo que espírito,
talvez para fincar mais meus pés à terra
e menos aos céus vaguear minha mente,
percebo que me tornei qualquer coisa de diferente.
Um ser à parte, uma quimera...
Pois quanto mais força adquire meu corpo,
mais ainda dele me liberto.
O que dantes era ferrugem e rangia;
o que era cinza de poeira que estava coberto,
agora é silêncio, é leveza, primavera.
E me torno o oposto do que queria:
um ser que plaina no reino das ideias,
do imaginário, da poesia
e um ser que cada vez mais se distancia
daquilo que um dia quisera...
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Vertigem
Minha vida é, portanto, só vertigem
Na verdade pouca coisa me aflige
Só a falta do teu amor me entristece.
Vez em quando, lá vem ela e me acusa:
- Por quê sentes? Por quê ainda se enternece?
- Por quê não aceitas logo esta recusa?
É, meu caro, eu não sei essa resposta!
Pois quando penso que passou, ele aparece
Esse amor que, de teimoso, não perece
Indo e vindo neste caminho sem sentido
Não contente, quer sentir o vento no rosto
e displicente na janela se debruça
Ah, meu coração é traiçoeiro
Ah, meu coração é uma montanha russa!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Ecos
Esconda a tua alma enquanto é tempo
Vá, esconda-te ao relento!
Que imperioso é o ser, o sentir
Deixa a tua ânsia se extinguir
Resolve-te na tristeza
Ainda há alento na beleza
Que a renuncia à tudo traz!
Vá, vá embora,
Sem se mostrar a ninguém
E encontre na solidão algo além da tua paz.
domingo, 1 de julho de 2012
Esmeril da vida
Que fardo é este que carrego comigo?
Onde a dor da alma dilacera o corpo
Onde a dor de um coração partido
vem também rasgar minhas entranhas
Porque será que sempre me acompanhas
Como uma sombra, um espectro, um silêncio
A gerar sempre uma despedida
A mostrar do amor um falso encanto
O que quer da minha alma ainda,
se não posso desaguar meu pranto?
Este rio, no meu corpo, é ferida
Este rio, na sua alma, é espanto
Eu só sei que semeio em minha vida
tudo que minha alma tem de amor
Mas minha alma purifica ainda
Vida, teu esmeril é a dor!
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